
'SOMOS A GERAÇÃO DA MUDANÇA!!!!NASCEU UMA NOVA GERAÇÃO DE POLITICOS!!!!'... anunciam eles. (
Este é o panfleto da JSD-Porto para estas eleições legislativas.)
Mind the gap, please... NOTE BEM:
A Manuela Ferreira Leite não está vinculada a qualquer destas propostas - ainda estes dias numa entrevista ela se destacou acerca de um posicionamento de um dirigente da 'jota' dizendo que as posições deles são independentes do PSD - uma coisa é o PSD e o seu programa, outro o da JSD...
...ou seja, quando no panfleto se lê o
mui politicamente correcto'O NOSSO PROGRAMA POLÍTICO É FEITO POR TODOS!',
vive-la-participation-populaire-e-tal-e-coisa, pese devidamente o facto de nada do programa político da JSD ter qualquer vínculo com a realidade... De facto, a 'jota' até podia propor a nacionalização da banca e o fim dos recibos verdes. Passando das marcas terão concerteza os arremeços de juventude e irreverências e radicalismos 'filtrados' pelos 'crescidos'. Sem responsabilidades ou consequência de maior. Política a brincar, ensaio geral. Porreiro, pá.
Dito isto... Cá vai a análise possível sobre o panfleto:
ponto 2 habitação'Acreditamos num sistema de incentivos ao arrendamento jovem que não assente na subsídio-dependência, e que utilize a tributação para estimular os proprietários a colocar (em condições mais favoráveis) os imóveis no mercado de arrendamento destinados a jovens.'
...'sem subsídio-dependência' significa que apoiam o fim do 'arrendamento jovem', suponho... ok, mas então, para quando, pergunto eu, a subida real dos salários mínimos e médios, para simplificar isto tudo? é parte da proposta?
... ah, mas espera, a Manuela Ferreira Leite não foi contra a subida do salário mínimo para uns ainda absurdos quatrocentos e picos euros? não é ela que diz que para sermos 'competitivos' temos que ter salários baixos?
... então deixem ver se percebi, o plano é: baixar os impostos aos proprietários, para eles baixarem as rendas para os jovens? a mesma coisa que a tal subsídio-dependência mas o dinheiro em vez de ir para os jovens para eles pagarem a renda, vai directamente para os senhorios, sob a forma de menos encargos fiscais com as casas? ao menos obriga a obras?
isto não cheira a esturro???
ponto 3, emprego (e educação...)
'Não é com a promoção do emprego público que se combate o desemprego. A promoção do emprego exige um ajustamento da educação à oferta do mercado de trabalho (...)'
...ou seja,
'adaptação da educação' aos postos de trabalho precários e instáveis? o plano é adaptarmos os currículos, as escolas, as universidades, etc., ao mercado de trabalho existente? em que é que isto se concretiza? fechamos já as faculdades de arquitectura e de direito porque o mercado está saturado ou esperamos para depois das eleições?
... e se tivessem pensado nisso quando, no tempo do Cavado como primeiro ministro (
lembram-se da Manuela Ferreira Leite como ministra da educação, de 93 a 95? ) se fartaram de permitir a abertura indiscriminada de cursos superiores privados, bons e maus, muito para além de qualquer necessidade de arquitectos ou advogados no país, porque o negócio do ensino privado era uma mina? é esta a proposta da JSD? adaptarmos as pessoas à miséria e aos erros de planeamento educativo do próprio PSD?
'(...) e uma aposta no empreendedorismo, aliada a uma redução da tributação suportada pelas empresas relativamente aos trabalhadores.'
cada um por si e deus por todos. amén... as empresas a pagarem cada vez menos a segurança social ou os chamados 'descontos' pelos trabalhadores ... a sério que a desresponsabilização das empresas é o caminho? isto é bom para quem? para que queremos um governo, afinal? não é para gerirem a nosso favor, da tal 'maioria' à qual pedem o voto e a confiança política?
ponto 4, qualidade da democracia'Na actividade política queremos níveis de exigência e qualidade muito elevados, e que aos políticos sejam impostas fortes regras de transparência e responsabilidade. A erradicação da corrupção (...) '
blablablabla. arquipélago da Madeira, Portugal. Alberto João Jardim. PSD.
I rest my case.
ponto 5, solidariedade inter-geracional'As decisões políticas de hoje têm consequências sérias para as gerações futuras.
Em particular nas decisões sobre protecção ambiental, opções energéticas, investimentos públicos, endividamento público, ou sistemas de segurança social. Deve, por isso, ser obrigatório que as decisões públicas tenham como critério a prévia avaliação do seu impacto geracional.'
... o que rais-parta é uma '
avaliação de impacto geracional'??
uma coisa entre a sondagem e o referendo?
indicativo e não vinculativo, tipo programa da JSD?
ou avisam-nos que nos endividam até daqui a 50 anos mas '
é a vida' e pronto, tipo avaliação-relatório-de-500-páginas?
ponto 6 globalização do jovem português (o título é o máximo... )
'O país e os seus jovens têm de estar preparados para viver e triunfar num mundo globalizado.'
(
é-a-vida-estúpido!)
'Temos que apostar na lusofonia'
(angolana, suponho, el-dorado do século XXI)
' no domínio das línguas estrangeiras e nas ferramentas digitais de comunicação'
(espera, já não ouvi isto nalgum lado? ah, pois, o PS, o inglês e os magalhães e os choques tecnológicos... pois... tão originais...)
'Temos que aprofundar os laços com os emigrantes portugueses' (vinde a nós o vosso pilim, que ao menos estais em países que pagam salários a sério)
'e promover a atracção e a integração social de imigrantes em Portugal.' (pooois.fica sempre bem.)
ponto 7 vida saudável e comportamentos de risco'A promoção da qualidade de vida e bem estar são objectivos da nossa geração. Para isso temos de construir condições e formar os jovens para que se reduza a obesidade, o consumo do tabaco, o alcoolismo, as toxicodependências e os comportamentos sexuais de risco.'
...bom, se isto quisesse dizer que o PSD defendia, em concreto:
- ginásios
state-of-the-art e pavilhões gimnodesportivos e piscinas, saunas e '
spas' públicos, à borla, com diminuição de horário para quem quiser ir tratar do corpo, todos os dias, (
para baixar stress, aumentar produtividade e felicidade geral, e poupar em hospitais e em antidepressivos e bandas gástricas e remédios contra a pressão alta...)-corredores de bicicleta para as pessoas poderem utilizar as biclas como meio de transporte em segurança nas cidades,
-comparticipação total dos medicamentos para ajudar a deixar de fumar,
-separação de consumos entre 'leves e duras' e a legalização da 'maria',
-salas de chuto e distribuição de droga 'limpa e segura' aos adictos,
-comparticipação total de preservativos e educação sexual em massa...
... então eu estaria perfeitamente de acordo!!! o problema é que eles não especificam nada, que é como quem diz, mandam umas
lapalissadas generalistas que não entrem em polémicas, e pronto...
(...)
( vocês ainda estão a ler isto??? se chegaram aqui, mandem se faz favor um comment só com o nome da vossa sobremesa preferida, tipo código, para eu saber quem é que de facto leu isto tudo!!!)ponto 10 triângulo institucional: estado, mercado e sector solidário (uuuiiii...)
'Apostamos num modelo alternativo, assente na cooperação do Estado e o sector social solidário, por um lado, e em que a existência e funcionamento do mercado seja temperado pela regulação do Estado e na superação das falhas do mercado.'
... ou eles são muuuito inocentes (e não discutem com os camaradas mais velhos, fechados na sua 'jotinha', crescendo devagar...) ... e nesse caso eu só posso retorquir
'pois, e depois chega o coelhinho da páscoa com o pai natal e muitas prendinhas e vivem todos muito felizes para sempre!'...ou então não lêem jornais - tipo, pessoal, o Estado não tem propriamente conseguido 'regular o mercado'...
... ou então são cínicos totais - o Estado é que faz a superação das falhas do mercado? pooois: ou seja, se der lucro, porreiro, o mercado encarrega-se de o armazenar onde bem interessa (nas contas da
beautiful people!!!!) se correr mal, entra o dinheiro dos meus impostos a cobrir o buraco (BPN, BPP, etc etc). ceeerto.
CONCLUSÕES: Mais do mesmo. Business as usual. Mudança? Nova geração? Ideias? Alternativa? Onde? ...
Post Scriptum 1... Eu defendo o fim das 'jotas', com ou sem esse nome - quando se afastam do 'mundo dos adultos' em associações políticas à parte, os mais jovens perdem peso nas decisões e deixam que lhes passem um atestado de incompetência e imaturidade, não reivindicando o seu lugar nas decisões e nos programas dos partidos sobre a gestão do mundo e da sociedade de que são parte integrante. ... Além disso, as 'jotas' são meio caminho andado para a duplicação do terrível aparelho inerente aos partidos políticos as we know them, autênticos balões de ensaio/rampas de lançamento dos delfinzinhos para o partido a sério.
Afinal, alguém me consegue dar uma boa razão para pessoas de vinte e tal anos não estarem a discutir-aprender-colaborar com mais velhos? São assuntos diferentes? Os meninos não se sentem à vontade para participar? Os senhores não têm paciência, vocação ou vontade de passar o testemunho? Estamos a tentar prolongar/empatar a 'juventude' até quando?? Jovens de 30 anos? Are you kidding?Post Scriptum 2
alguém tem o número da Joana Amaral Dias, para eu lhe pedir umas dicas, caso me liguem do PS, a fazerem convites indecentes, depois deste post?
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